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Um ou nenhum

Numa tentativa de mergulhar e refletir sobre o futuro do Partido Social Democrata, nomeadamente sobre os desafios e exigências, que gozam de ausência de tempo para encontrarem solução, sentimos a obrigação de professar que futuro antecipamos haver.

Durante o conturbado período relativo à fraca afirmação da atual liderança dos Sociais Democratas, parece-nos evidente que a crise política está também no interior do PSD, desde logo pela fraca qualidade de propostas e cativação da confiança entre os eleitores. 

Acrescendo ao antecipado período eleitoral que o Estado enfrenta, está também em contenda quem assumirá o leme do partido nos próximos tempos. De entre possíveis ecos, cimentaram-se apenas dois, Rui Rio e Paulo Rangel. 

Rui Rio, economista, ex-presidente da Câmara Municipal do Porto, sucessor de Passos Coelho, disputou a anterior eleição interna com Santana Lopes, resultando vencedor. Tem na Juventude Social Democrata a sua génese política, tendo sido Vice-Presidente da Comissão Política Nacional. 

Paulo Rangel, advogado, surge na política em 2001, no âmbito das eleições autárquicas, confiando-lhe a redação do programa de candidatura à Câmara Municipal do Porto, encabeçada por Rui Rio. Tornou-se militante do CDS ainda nessa altura, tendo posteriormente em 2005 escolhido o PSD. Disputou em 2010 as eleições internas contra Passos Coelho e Aguiar-Branco, ficando em segundo na tabela. Foi diversas vezes pelo PSD cabeça de lista às eleições europeias.

Focando-nos essencialmente, nos assuntos regionais, ambos os candidatos pouco enfatizam sobre a agilização das relações entre a República e a Região.

Persuadem, referindo que irão resolver dossiês pendentes, algo que na nossa opinião é curto e peca pelo vazio das palavras que são muitas vezes proferidas. 

Rio advoga ainda a criação de um “grupo de missão para resolver questões pendentes entre a Madeira e a República”, propondo de seguida a criação de uma “figura privilegiada”, no sentido de haver “um membro do Governo da República especialmente responsável pelo relacionamento com os Governos Regionais”.

Refletindo se tais iniciativas seriam comprometedoras, diminuidoras ou desafiadoras da Autonomia, aparentam-se que em nada a beliscam. Cremos que ao criar-se limitações às suas atuações e às suas competências, serviriam com o agilizar nos tempos e nas formas de interceder sobre matérias de não tão grande relevância. 

Rangel, sustenta que a quebra da ligação entre Porto Santo e o continente português é inadmissível face ao grande investimento que se tem feito na TAP. Assim como recorda que o financiamento do novo hospital de 50% pelo Governo Central deve ser realizado. Omisso de novidade, visto ser rogado reiteradas vezes. 

Refletindo se são os nomes que o PSD necessita neste momento, não nos surge motivo para concluir que não estejam à altura do desafio que se profecia para o partido. 

Aliado a este pensamento surge a questão de saber se o presidente eleito será capaz de derrotar António Costa e ser eleito primeiro-ministro. Aí a resposta é hermética, pois mesmo com a constante vontade de falhar e de rumar incorretamente, o PS vincou o sistema e sobrepôs-se de tal forma à direita que surge o eco de um bloco central como única forma de haver um governo incluindo a direita. 

Ora esta ideia não podia ser mais leviana, mesmo com uma direita debilitada, pois é uma “solução com riscos, porque aplana as diferenças e os posicionamentos ideológicos entre os partidos, e estimula crescimentos nos extremos, vistos como a única alternativa à amálgama aglutinadora que ocupa tudo ao centro”.

Em suma, sob a necessidade de se afirmar como a maior força política do país, terão os militantes do PSD de ajuizar sob premissa de não só definir o líder do seu partido, como também o futuro candidato a primeiro-ministro, tendo também o candidato de ser capaz de unir o partido para aspirar uma governação sólida.

Tiago Gouveia
Vogal da JSD Santo António

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