Menu Fechar

Alheamento

“Não sejam, por favor, meros espectadores porque com novos horizontes há beleza em cada regresso”

O tempo tem estado sombrio na Região, porém o mês de Julho recebe mais jovens madeirenses que se juntam àqueles que por cá estudam ou trabalham. É inevitável a pergunta: “Já estás cá de vez?”, seguida da forçosa constatação de que “este tempo está capacete!”. Não há nada como alicerçar a nossa curiosidade nas vidas alheias nos mais elementares comentários meteorológicos.

Acontece que talvez a maioria não saiba bem o que responder e os que perguntam quiçá não entendam o peso da expressão “de vez”. Ora o dicionário ajuda qualquer um, remete-nos esta última para o tempo, um momento indeterminado nas vidas, para palavras como “decisivamente”, e “a valer”.

  Afinal, pensa-se que é isso que os jovens deveriam querer. Querer estar nesta vida “a valer” para a sociedade na qual cresceram, encarando as suas falhas como desafios, erguendo pontes entre eles próprios e os pais que os criaram e educaram.

  Denotamos, contudo, que em vez de trazerem as suas skills e know-how para a ilha da Madeira, anglicismos que pessoalmente me apoquentam, ou seja, os conhecimentos e qualificações, procurando construir algo, muitos estão um tanto perdidos de identidade, limitando-se a ser espectadores da eterna novidade do mundo.

  Não sejam, por favor, meros espectadores porque com novos horizontes há beleza em cada regresso.

  Tal situação reflete-se num alheamento político jovem generalizado, segundo ponto que aqui pretendo esgrimir. Ora, enquanto eleitores à distância, caso o sejam, é-vos exigida uma dupla responsabilidade. Qual? A de se informarem duas vezes.

  Já outros jovens, permanentemente enxertados de informação nas redes sociais, um pouco avessos à vida real tornam-se vítimas fáceis de campanhas de desinformação.

  Como poderão conhecer os seus futuros representantes e contactar com a verdade se já não estão nas ruas para ter uma conversa frente a frente com os candidatos ou perceber tudo aquilo que foi construído à margem dos seus olhos?

  Na minha profissão é frequentemente referido que existem 3 verdades. A verdade material, a verdade que defendemos e a verdade processual. Em contraste, atrás de um ecrã existem mil verdades multifacetadas, inverdades e mentiras, mas todas elas escritas. Por conseguinte, é precisamente neste sentido que continuo a acreditar que o contacto direto é o menos permeável à referida panóplia. Não é de hoje que mentiras são divulgadas como verdades, mas sem dúvida que o fenómeno das notícias falsas privilegia um meio onde todos estão simultaneamente em rede.

  Exorto para que não sejam eleitores vulneráveis porque o alheamento mata. Mais, ainda sou da opinião que se plantam árvores nas nossas florestas e salvamos mais tartarugas nas águas do Caniçal se estivermos offline.

  É verdade que temos jovens exigentes, cada vez mais informados e que procuram que os seus governantes estejam “à sua altura”, respondam às suas necessidades e proporcionem melhores oportunidades.

  Sucede que estes jovens não percebem que as respostas às suas necessidades são também por eles próprios dadas e que as oportunidades só poderão ser por eles criadas enquanto a geração madeirense mais qualificada de sempre e aquém mar.

  O nosso Governo Autónomo é, primeiramente, nosso e temos todos um papel de autogoverno autónomo em aperfeiçoamento “decisivamente”, “de vez” e “a valer”.

Maria Pereira
Militante da JSD Madeira

#LiderarParaTi

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *