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Cão que ladra não morde

A consequente morosidade na resposta aos problemas concretos da sociedade europeia aumenta as dúvidas dos euro-cépticos, enraizando-as.

No dia 27 de Maio de 2020 foi anunciada a resposta da União Europeia à crise provocada pelo COVID-19, tendo-se passado cerca de 75 dias, desde que a Europa foi declarada o epicentro da pandemia. Não só demorou o anúncio da resposta financeira, como não passou disso mesmo: um anúncio, visto faltar a sua aprovação.

Sendo pró-europeista, entendo as normas europeias que os países adaptam à sua legislação nacional, de modo a que essas mesmas normas sejam standard nos estados-membros. Os países e os seus cidadãos aceitam determinadas imposições da União Europeia mas, esperam uma resposta rápida e inequívoca por parte desta, o que não se verificou em termos de resposta financeira, nem na prevenção, nem na adopção de medidas para evitar que a Europa se tornasse o epicentro da pandemia.

Os países tomaram medidas avulso e de acordo com a sua situação epidemiológica, naquilo que entendiam ser o melhor para os seus cidadãos, sem que houvesse qualquer coordenação europeia, seguindo o desconfinamento pelo mesmo caminho, já que a União Europeia limitou-se a apresentar algumas orientações. Porém, os países implementaram as medidas que os seus técnicos especialistas consideraram pertinentes, tendo em conta o desenvolvimento da pandemia em cada território, ficando a UE apenas a observar a aplicação individual dessas medidas.

Não pretendendo esmiuçar o apoio financeiro anunciado para os estados-membros, nem a sua aplicabilidade no tempo, pois a meu ver, vem tarde, demasiado espaçado no tempo e com novos impostos, numa fase posterior. Esta União Europeia descoordenada, que tarda, sem efeito prático visível para os europeus e, esta União Europeia a diferentes velocidades e interesses, não é a União Europeia que desejo!

A consequente morosidade na resposta aos problemas concretos da sociedade europeia aumenta as dúvidas dos euro-cépticos, enraizando-as. Ouve-se “ladrar”, sem que que se veja o cão, permanecendo uma “porta aberta”, para que se ache que o cão não existe e, poderá tratar-se de uma playlist do spotify para acasalamento de cães, que o vizinho costuma ouvir. Apesar desta inoperância, é inegável que a União Europeia, através dos diversos apoios comunitários disponibilizados ao longo dos últimos anos, proporcionou inúmeros investimentos e melhorias significativas na qualidade de vida das pessoas.

Deste modo, é necessário ouvir-se e ver-se o cão a ladrar e, achar-se que ele é capaz de morder, devendo ser neste contexto que a União Europeia precisa implementar medidas concretas, adequadas e atempadas, não podendo ficar refém da reunião mensal dos líderes europeus, que muitas das vezes servem para ver quem “ladra” mais alto, correspondendo os efeitos práticos a zero. É imperativo, por parte dos cidadãos, que tais medidas sejam efetivadas no imediato.

Se a União Europeia pretende que as pessoas se sintam integradas, unidas, com identidade europeia, que saibam que “Úrsulas desta vida” presidem à Comissão Europeia, urge uma União Europeia célere na adoção e implementação de medidas que vão ao encontro dos anseios e da resolução dos problemas dos cidadãos europeus. Os europeus aspiram uma União Europeia que não se restrinja a “ladrar”, mas que também “morda”.

João Jardim
Secretário-Geral Adjunto da JSD Madeira

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