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Inteligências das Emoções

O desafio que é viver neste século, uma introspecção necessária, a inteligência que se exige.

Como seres humanos que somos, vivemos de emoções e sentimentos diários que nos moldam e que nos fazem encarar cada aspecto do nosso quotidiano de um certo modo. Faz com que a nossa personalidade seja talhada a cada momento, tornando-se por isso, numa obrigação quase, desenvolvermos realmente uma inteligência emocional vincada se queremos de certa forma “sobreviver” aos estímulos e desafios da nossa vida em sociedade.

Li há uns tempos um artigo interessante que citava uma passagem de Aristóteles de um dos seus livros, e que levantava a questão, de qual seria o aspecto mais relevante da inteligência emocional, dando o seguinte exemplo: – “Qualquer um pode ficar furioso, isso é fácil. Mas ficar furioso com a pessoa correcta, na intensidade correcta, no momento correcto, pelo motivo correto e da forma correta, isso não é fácil.”.

De facto, isto levanta aspectos interessantes que nos podem levar a tirar as mais variadas interpretações e conclusões, mas é com certeza algo que já nos passou a todos pela cabeça, em sentimentos contidos e atitudes irrefletidas, fruto do que pensamos mas não só…

Isto porque, existimos numa época onde se vive uma afecção generalizada, quase invisível, de excessos. É o excesso de informação com que somos bombardeados todos os dias, o excesso de responsabilidades que nos põe na linha, o excesso de consumo materialista que nos endivida, o excesso de expectativas que criamos para as nossas vidas.

Bem, este cúmulo é o claro motivo para termos expressões como “ansiedade”, “burnout” ou “frustração” cada vez mais presentes no nosso léxico. Esta crise silenciosa recheada de estímulos e informação tira tempo verdadeiro à sociedade em si, que se vê sem capacidade de resposta ou reação porque – ironicamente – não tem tempo. Este que é outro aspecto que se junta a esta salada de emoções e que nos afecta, o tempo e o seu imediatismo, cada vez mais presente nas nossas mentes, é a falta de tempo para os filhos ou para a família, é a falta de tempo para descansar, é a falta de tempo para comer em condições, é aquele loading de um conteúdo que se não é em menos de 1/6 de segundo nos tira do sério, é a progressiva maquinação das pessoas nas empresas “- queremos-nas mais eficientes e aceleradas”, é a pressão de consumir mais e mais conteúdo – filmes, séries, música, roupa, gadgets – não interessa a substância, interessa é que seja “fast-consumed”.

Portanto, acaba por ser normal que uma pessoa se veja afogada em emoções e sentimentos, mas ainda assim fica a faltar mais um, e para rebentar com este caldo, a competitividade, pois…

Sempre existiu, fez-nos evoluir enquanto raça e humanidade, permite dar sentido e metas aos desafios que todos temos, mas é ela mesma também que nos excede e tira tempo muitas vezes.

Intimamente ligada aos primeiros aspectos, esta em excesso é responsável e muito pela frustração e o estado de ansiedade permanente em que várias franjas da sociedade vivem. Já não basta as qualificações ou a experiência para um emprego, é necessária capacidade interpessoal, são precisas as “soft skills” e o foco no objectivo. Condições que nos fazem realmente fazer ver que o mundo é dinâmico, que está em permanente mudança, e que se não queremos ficar para trás, temos de saber acompanhar, quer seja a bem ou a mal.

Nisto, há um sentimento básico que nos ladeia, o medo, que nos alerta e faz recuar, ponderar e tomar precauções, ou até bloquear. Torna-se ele numa consequência, num resultado dos excessos e da falta de tempo com a competitividade assoberbada, pode ele mesmo ser o fundamento de uma sociedade cada vez mais individualista, constituída por inaptos socialmente e com uma parca tolerância aos obstáculos.

Mas por estas razões e muitas outras, o quadro não tem de ser necessariamente negro, cabe-nos a nós a escolha e a habilidade para que possamos viver neste século XXI, através de um forte sentido crítico às nossas emoções quando as mesmas não nos são benéficas. Não me interpretem mal, saber criticá-las, é saber analisar cada desafio e situação com pormenor e ponderar a melhor decisão no momento, não se deixar ir em medos irracionais e bloqueios existenciais, estando sempre o melhor preparado mentalmente para o que dia seguinte nos poderá reservar.

Francisco de Sousa Gonçalves
Presidente da JSD Funchal

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