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Não vivemos só de Ar

O menino/a é carnívoro?

O ambiente, os ecossistemas, a agricultura sustentável, entre muitos outros, são preocupações que estão na ordem do dia, não só dos jovens, apesar destes terem assumido um papel mais activo nestas temáticas, como também dos menos jovens. Ninguém quer um planeta com problemas ambientais para os seus filhos e, consequentemente, para as gerações vindouras.

Desconfio e, é com mágoa que digo isto, que daqui a alguns anos estaremos todos a comer sementes de girassol e, para desenjoar, umas bagas de goji uma vez por semana. E agora pensam que o que foi explanando anteriormente foi um exagero. Mas será mesmo exagero?

Vejamos: em Portugal, a Universidade de Coimbra proibiu o consumo de carne de vaca nas suas cantinas. Uma Universidade em que estudam milhares e milhares de alunos, onde já se doutrina que a vaca polui e que, para resolver este problema do mundo, temos de acabar com o consumo da carne de vaca e, digo acabar com elas, pois se não for para consumo, por que motivo as pessoas irão investir na procriação das mesmas?

O próximo passo, nesta mui ilustre Universidade, é a da pergunta de acesso à bolsa: “O menino/a é carnívoro?”. Este assunto é problemático, no sentido de se perceber o desenrolar destas questões, ou seja, quantas mais proibições alimentares os alunos estarão sujeitos. Estaremos a assumir que estes alunos (maioritariamente adultos) têm competência para frequentar o ensino superior mas, ao mesmo tempo, não tem capacidade para decidir sobre a sua alimentação? Será que a Universidade de Coimbra já aboliu ou proibiu a sua frota automóvel de circular? Será que todos os plásticos usados na Universidade já foram reduzidos?

Por que não diminuir o consumo, por exemplo, para dois dias com prato de carne de vaca por semana na Universidade? O extremismo causa mais extremismo e, neste sentido, acho que a Universidade de Coimbra não se deve pautar por proibição de bifes, mas pela inclusão de carnívoros, sob pena de se ter de criar uma Comissão de Protecção e Igualdade de Carnívoros.

Atenção, sou a favor que se reduza, que se procure explorações que produzam carne de vaca de forma menos poluente, tendo os empresários que se adaptar à nova procura. Mas acabar com o consumo carne de vaca? A minha preocupação prende-se com o facto de se retirar às pessoas, a opção de consumir carne de vaca. Acredito numa democracia em que as pessoas possam comer carne de vaca, de porco, frango, tofu, sementes ou ervas. É uma liberdade individual que não deve ser restringida por ninguém, muito menos por modas ou por tentativa de
se aplicar a todos um tipo de alimentação, seja saudável ou não. Ninguém anda por aí a impingir a carne de vaca às pessoas, ou a tentar pôr gordura ou nervo da carne nos espargos ou nas sementes de ninguém.

Em suma, sou a favor dos estilos saudáveis que aumentem a qualidade de vida das pessoas e, é evidente, que é necessário proteger o meio ambiente e garantir a sustentabilidade do mesmo, sendo fundamental desenvolver, já hoje, acções concretas quanto a estas temáticas. Mas, por favor, não retirem os bifes, nem a liberdade de escolha do que as pessoas querem ou não comer!

João Jardim
Secretário-Geral Adjunto da JSD Madeira

#LiderarParaTi

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