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Novos Ciclos

A reta final de 2020 veio alterar alguns paradigmas políticos que, direta ou indiretamente, exercem influência sobre o contexto em que nos inserimos. Num ano em que, incontornavelmente, o discurso político se foca na saúde pública, apraz-me reservar este texto – pelo menos este texto – para temáticas extra-covid. Porque não há vírus que, sob circunstância alguma, deva suspender a democracia e os escrutínios do cidadão comum.    

Nos Açores, concertaram-se esforços e limaram-se vontades para que a direita pudesse, e bem, voltar a nortear os destinos do arquipélago. José Manuel Bolieiro foi indigitado presidente do Governo Regional e tem o mérito de ter conseguido articular egos variados com o propósito de um bem comum. Se é a solução ideal? Não, não é. Mas é a solução possível dado o contexto, é a solução que permite um rumo e é a solução que resgata os açorianos da estagnação e da decadência. A complexidade desta situação proporcionou que, por detrás de muitas máscaras, se vertessem lágrimas de crocodilo, ou por má vontade, ou por não saber o que é uma coligação governamental e o que não o é. Ignorados estes amuos de quem perdeu o brinquedo favorito, a Madeira e os Açores têm agora uma oportunidade ímpar de, em conjunto, pressionar São Bento e Belém na defesa dos superiores interesses do povo insular e dos valores autonómicos. Porque os crocodilos que choram fazem-no no desespero demagógico de perceber que os ventos estão a mudar. Ainda para mais quando, devido ao distanciamento social, está mais complicado receber apertados abraços soviéticos. Como diria o outro, matematicamente têm os dias contados. Tic tac.

Novo ciclo também nos Estados Unidos, com a saída de um super-desastre conhecido e com a entrada de um desastre desconhecido. Os nossos amigos americanos tiveram o azar – ou, entenda-se, viram refletir o espelho da hipocrisia social – de ver os dois piores candidatos a presidente da sua história a concorrer na mesma eleição. Não é que o outro senhor vá deixar muitas saudades, mas não deixa de ser divertido que o Partido Democrata tenha escolhido Joe Biden, que iniciará o mandato com 78 anos, para ser o testa-de-ferro responsável por escancarar as portas da Casa Branca a quem o acompanha. Que viva muitos e bons anos, mas, tendo em conta que a esperança média de vida nos Estados Unidos nem chega aos 79, se calhar era boa ideia que Kamala Harris se fosse preparando para deitar as garras de fora mais cedo do que o previsto. No improvável cenário de não saber como o fazer, tenho a certeza de que Miguel Silva Gouveia se disponibilizaria para dar umas dicas. Como li no Twitter de um amigo e companheiro de outras batalhas, espero é que, para o ano, os mais jovens demonstrem o mesmo interesse exaustivo em relação a umas eleições presidenciais, mas desta vez em Portugal.

João Gomes da Silva 
Secretário da JSD Sé

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