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O início do fim

Nós jovens, andamos sempre numa constante montanha russa entre o querer cumprir objetivos por nós propostos e o mundo à nossa volta. Entrar na universidade abre-nos portas a novas descobertas, aventuras, conquistas e também derrotas.

Aprendemos a valorizar aquilo que sempre tivemos por garantido, como um simples abraço apertado da nossa família ou um brinde com os nossos amigos. Entre o entrar na faculdade, à corrida pela procura de um lar que nos tente proporcionar alegria com pessoas que nunca antes tínhamos visto, tentar cumprir as datas de entrega dos trabalhos e organizarmos o nosso tempo de estudo, entramos numa cidade que nos recebe de braços abertos, como foi o caso da linda cidade de Viseu.

A licenciatura teve os seus altos e baixos (estando eu no meu ano extra de licenciatura) mas consigo levar no meu coração os pontos mais altos de toda esta aventura que é a vida universitária. Ainda me lembro da minha primeira praxe, como se fosse ontem, e do medo que senti em entrar numa comunidade de valores e princípios que me eram desconhecidos e ter sido tão bem acolhida por todos os meus colegas, amigos, praxistas e superiores que me fizeram, sem dúvida alguma, sentir em casa.

Sermos de um arquipélago causa um efeito de nostalgia das pessoas que podem simplesmente pegar nas ruas roupas sujas e caixas de comida vazias e levarem para o seu lar ao fim de semana. Aquele soar de rodinhas de mala de viagem a passar pelas calçadas de Viseu deixavam-me sempre com o coração apertado, por saber que estava tão longe dos meus, do calor da minha Madeira.

Mas foi este combinar de coisas que me fizeram crescer como estudante e como pessoa, foi o calor da família que criei em Viseu que me fez ultrapassar todos desafios que a universidade me colocou pela frente. O meu batismo, a minha primeira serenata, o primeiro traçar de capa na magnifica Sé de Viseu, todo aquele impacto de me sentir a crescer juntamente com todos os meus colegas, à minha primeira praxe como praxista, aos meus afilhados, padrinhos e amigos, até a um novo e desconhecido mundo em que tenho de me despedir dos meus através de um aparelho eletrónico.

Quando percebi que tinha de ficar mais um ano em Viseu, senti que ainda tinha um ano para me despedir daquela que foi a minha segunda casa durante estes quatro anos, saber que poderia trajar mais uma vez pela última vez deixou-me confortável. Longe estava eu de saber que iria acabar este ano a partir de casa, longe da minha Escola Superior de Educação de Viseu que tanto me ensinou, e longe de tudo aquilo que construí ao longo do tempo. Dói e custa perceber que assim o vai ser. Mas tem de ser, por mim e por todos aqueles que estão a dar a vida pela nossa saúde e pelo bem de todos nós, e é isso que me faz sentir bem e ciente de que um dia hei de lá voltar.

“Viseu, minha saudade”.

Vanessa Santos
Militante da JSD Madeira

#LiderarParaTi

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