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Os Jovens e o Desenvolvimento Regional no pós-pandemia

Vivemos tempos de extrema incerteza. Apesar de ainda estarmos a meio da tempestade, importa começar já a planear o futuro da nossa Região, na qual os jovens desempenharão um papel importantíssimo.

Estamos num período de transição, nomeadamente no âmbito da Política de Coesão europeia, entre o fim do Quadro Financeiro Plurianual 2014-2020 e o início do QFP 2021-2027. Deste modo, dadas as limitações que a Lei das Finanças Regionais coloca à capacidade atual de endividamento da Administração Pública Regional, os fundos comunitários ganham assim um maior papel enquanto instrumento de desenvolvimento regional e de recuperação dos impactos socioeconómicos decorrentes da crise pandémica.

É neste contexto que, para a melhor aplicação destes instrumentos europeus, na senda de uma recuperação no pós-pandemia e de uma transição verde e digital, é necessário que a Região tire proveito dos seus ativos jovens altamente qualificados.

Nesta recuperação que urge levar a cabo, lado a lado com a alteração do modelo de desenvolvimento regional – tornando a economia mais robusta e resiliente, menos dependente da vulnerabilidade dos fluxos turísticos, e preparada para a integração em cadeias de valor globais, através da modernização e internacionalização do seu tecido empresarial – os jovens assumem um papel de destaque.

A estratégia de desenvolvimento regional baseia-se na mobilização e utilização dos recursos endógenos regionais para a criação e proveito de vantagens competitivas. Hoje em dia, os fatores dinâmicos de competitividade prendem-se, sobretudo, com fatores imateriais, como a integração de conhecimento em novos produtos e serviços, tornando-os inovadores e capazes de competir em qualquer parte do mundo.

Para o sucesso de qualquer processo de inovação, devem estar reunidas, entre outras, três condições de base: a existência de boas infraestruturas de I&D, estruturas de interface entre as unidades de I&D e as empresas, e recursos humanos qualificados.

Ora, a Madeira possui excelentes infraestruturas de I&D, proporcionadas pelo grande investimento material já realizado pelo Governo Regional, e organizações que promovem a ligação entre estas unidades e o tecido empresarial, apesar de ainda haver espaço para melhoria. Durante várias décadas, a Região tem recorrido a quadros externos para colmatar a falta de recursos humanos qualificados em diversas áreas. Porém, fruto do desenvolvimento alcançado, o paradigma tem-se alterado. Hoje temos a geração madeirense mais qualificada de sempre. Precisamos de os captar e de evitar, assim, o ‘brain-drain’.

Os jovens desempenharão um papel fulcral no desenvolvimento regional – desde a capacitação das empresas e instituições regionais, públicas e privadas, até ao empreendedorismo inovador em diversas áreas, à internacionalização da nossa economia, e ao regenerar da sociedade civil. A mobilização deste potencial humano permitirá criar a massa crítica necessária à transformação e recuperação da economia regional no pós-pandemia.

Esta mudança tem que ser realizada a par de uma melhoria da posição dos jovens no mercado laboral regional, sobretudo a nível da mitigação da precariedade e da melhoria dos rendimentos. Ademais, é necessário trabalhar do lado da oferta, nomeadamente do lado do tecido empresarial, de modo a que os empresários regionais reconheçam a importância de possuírem ativos humanos qualificados nas suas empresas – peça-chave para qualquer processo de internacionalização de sucesso.

Dionísio Alexandre Andrade
Militante da JSD Madeira

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