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Sustentabilidade do Sistema Regional de Saúde: A propósito das Doenças Crónicas

No mundo em que vivemos, cada vez mais temos dado importância à sustentabilidade, de forma a permitir a permanência das “coisas”, através de uma boa economia de recursos. A Saúde não é exceção, sendo que a Sustentabilidade do Sistema Regional de Saúde depende principalmente dos Utentes, dos Profissionais de Saúde e das Políticas de Administração/Gestão.

Este é um tema extremamente complexo e abrangente e, como tal, poderia pegar em várias temáticas, tendo sido a escolhida, para este primeiro artigo, as doenças crónicas e o seu impacto na Sustentabilidade do Sistema Regional de Saúde

O aumento da prevalência das doenças crónicas, como a Diabetes, Doenças Cardiovasculares, Obesidade, Asma e DPOC, que são evitáveis através da modificação de comportamentos de risco que estão comprovados no aparecimento destas doenças, tem levado ao aumento significativo das despesas do Serviço Regional de Saúde. Isto é uma verdade inconveniente para todos, mas, perante isto, surgem novos desafios no desenvolvimento e sustentabilidade deste serviço.

Como vamos resolver isto? Vamos pagar mais impostos para financiar o Serviço Regional de Saúde?

Certamente é essa a resposta que virá à cabeça de muito leitores que estão a ler este artigo. Alguns devem estar a sentir injustiçados a pensar: “Eu sou saudável, porque vou ter de pagar o tratamento caríssimo a alguém com cancro que passou vários anos a consumir álcool, drogas, sal, açúcar e tabaco em excesso?”

Eu, atendendo aos meus princípios de social democrata, defendo um Sistema Regional de Saúde que promova a justiça social, equidade e que seja justo para todos os que descontam para o bom funcionamento do Sistema. Como tal, uma medida fundamental para combater este problema seria o reforço das políticas de prevenção primordial, permitam combater estilos de vida (não saudáveis) que levem ao risco de desenvolver determinadas doenças. Por exemplo, de fazer aumentar os impostos sobre os comportamentos de risco que estejam devidamente associados às doenças, conforme as evidencias científicas disponíveis no momento.

Um dos exemplos mais simples e prático é os impostos sob as bebidas açucaradas, embora o consumo das mesmas em Portugal não tenha diminuído significativamente desde a implementação desta medida.

Outro exemplo, já há muito conhecido, é os impostos sobre o tabaco e restrições no seu consumo, que tem levado a diminuir a prevalência de fumadores portugueses.

Estes impostos têm duas vertentes que são a de diminuir o seu consumo, mas também de financiar os custos dos tratamentos das principais doenças provocadas pelos fatores de risco, de forma a evitar o endividamento do Serviço Regional de Saúde.

Mas, também podemos pensar ao contrário e atribuir benefícios fiscais e não só, para quem providencie estilos de vida saudável que evitem estas doenças crónicas.

Jaime Miguel Abreu
Militante da JSD Madeira

Sobre o Autor

Jaime Miguel Abreu é Estudante Madeirense no 5º ano do Mestrado Integrado em Medicina na Faculdade Ciências da Saúde da Universidade da Beira Interior. Esteve ligado ao Associativismo Jovem como fundador e primeiro presidente da AJEMed Madeira: Associação Juvenil de Medicina da Madeira entre 2015 e 2018. Para além da Medicina, tem interesse em assuntos relacionados com a Educação Médica, Liderança e Gestão em Saúde. É Militante da JSD-Madeira desde 2012.

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